Com
a iminente chegada do vice Michel Temer à Presidência da República, a
linha sucessória do País será formada por dois políticos que, juntos,
respondem a, pelo menos, 18 pedidos de investigação no Supremo Tribunal
Federal.
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já é réu
em uma ação penal no Supremo, além de responder a uma denúncia e a três
outros inquéritos no contexto da Operação Lava Jato. Nesta
segunda-feira, 2, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu
ao STF que abrisse mais uma linha de investigação contra Cunha, com base
na delação do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS).
Já o
presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), responde atualmente a
12 inquéritos no Supremo, nove deles relacionados às investigações sobre
o esquema de corrupção da Petrobras, um relativo à Operação Zelotes
além de dois que apuram irregularidades no pagamento da pensão de uma
filha que o senador teve um relacionamento extraconjugal.
Se o
impeachment da presidente Dilma Rousseff for aprovado pelo Senado, Cunha
se tornará o segundo na linha sucessória e deve, eventualmente, assumir
o cargo quando Temer estiver fora do País. Tanto ele quanto Renan são
do mesmo partido de vice, o PMDB.
A possibilidade de uma pessoa
que já responde a uma ação penal assumir a Presidência tem agitado o
meio jurídico. Na semana passada, o ministro do STF Teori Zavascki
reconheceu que vai levar esse debate ao plenário da Corte para ser feito
com a discussão sobre o pedido de afastamento de Cunha do comando da
Câmara.
A saída do peemedebista do cargo foi pedida em dezembro do
ano passado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Desde
então, o processo está parado no Supremo, mas começa a circular no
tribunal a informação de que Teori poderia liberar o caso para a pauta
em breve.
Já há quem reconheça dentro do Supremo que ministros
possam usar o impedimento de Cunha para assumir a Presidência como
argumento para votar a favor do afastamento do peemedebista do cargo. Em
março, Cunha se tornou o primeiro parlamentar réu em uma ação na Lava
Jato, pelo suposto recebimento de propina em contratos de navios-sonda
com a Petrobras.
Apesar de responder a mais inquéritos que Cunha,
esse debate não atinge diretamente Renan, que seria o terceiro na linha
sucessória, porque ele ainda não foi transformado em réu em nenhuma das
12 ações que tramitam no Supremo.
Uol
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